sexta-feira, 24 de maio de 2019


Estar aberto à mudança e enfrentar o desafio com um sorriso nos lábios e sem medo

Indisciplina VS Mudança

Segundo os dados recolhidos recentemente pela OMS, para os jovens, a indisciplina nas aulas deve-se ao tipo de aulas, que consideram ser aborrecidas, e “a matéria”, que descrevem como excessiva, explicou Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que em Portugal coordena este estudo da OMS desde que, em 1998, o país começou a participar.

A indisciplina, de acordo com Joaquim Azevedo  (psicólogo), deve-se ao facto de que “a  escola não cativa” os jovens. Por sua vez, os professores queixam-se de que “os alunos chegam desmotivados” às aulas. O que explica a falta de motivação é o facto de que “a escola mudou pouco e os adolescentes mudaram muito”. E se se tenta ensinar “nativos digitais” de uma forma semelhante àquela que “existia há 50 anos”, dificilmente os "nativos digitais" gostarão dessas aulas.

Os professores e os alunos terão de desenvolver e respeitar valores, regras e limites, no sentido de acabar com a indisciplina na Escola. A Escola e os professores devem preocupar-se mais em mudar a metodologia pedagógica no sentido de motivar os alunos a interessar-se pelo seu próprio processo de ensino – aprendizagem, levando-os a procurar o conhecimento e a integrá-lo, de forma a serem autónomos, independentes, cívicos, críticos e participativos na comunidade. Para desenvolvermos nos alunos a ideia de pertença e participação, na comunidade / sociedade, é essencial que se proceda a várias mudanças urgentes na Escola.

As mudanças terão de passar pela utilização equilibrada do mundo digital, uma vez que vivemos “na globalização” e temos de nos abrir ao mundo para nos mantermos atualizados. Os mais novos vivem mais abertos para o mundo e virados para este, sedentos de informação e com acesso a ela. Cabe-nos a nós, professores, ter uma visão muito mais global e verificar que o nosso mundo, afinal, não é o nosso quintal, o nosso espaço de conforto: temos, como profissionais, que acompanhar as mudanças da sociedade e adotar as novas tecnologias como metodologia de trabalho. O professor, profissionalmente, deve manter-se sempre atualizado e inovar em educação; por esse motivo, terá de estar preparado para contribuir para a autonomia dos alunos e para um processo de ensino-aprendizagem mais criativo e motivador, adquirindo as competências digitais necessárias, através de formação específica, enriquecendo a sua profissionalidade docente, porque deve estar sempre aberto à mudança, num mundo em que não há volta a dar senão avançar.

“Toda a vida é mudança." Logo, não há que ter medo, deve enfrentar-se o desafio e seguir em frente com um "sorriso nos lábios", confiando nas nossas capacidades para atingir o sucesso. No entanto, considero que não se deve exagerar no uso das novas tecnologias, uma vez que podem criar dependência e problemas nos jovens como a depressão, a ansiedade, o stress... E mais, não devemos voltar ao passado das "tele-escolas", substituindo as televisões pelos computadores, telemóveis, tablets, tornando a aprendizagem uma relação (professor - aluno) muito impessoal.