domingo, 14 de abril de 2019

O PAFC na Educação Atual - algumas considerações

Após as várias leituras realizadas sobre a temática proposta, considero que é uma questão bastante interessante e pertinente que, efetivamente, só depois de colocada em prática, nas nossas escolas, poderemos ter a noção do seu efeito na escola atual e nos nossos alunos. A ideia de que todos somos iguais e temos a mesma capacidade de aprendizagem, mas temos de respeitar o tempo de cada um para o fazer e implementar metodologias diferenciadas, apostando na integração total de todos os alunos no sistema escolar, é o objetivo de todas as entidades ligadas à educação.
Na  escola onde me encontro a lecionar, já estão no 2º ano de implementação deste sistema, eu, infelizmente, estou pelo 1º ano a lecionar de acordo com a autonomia e flexibilidade curricular. Por esse motivo, ainda sinto algumas dúvidas relativamente às novas metodologias e formas de avaliação diferenciadas, mas o facto de estar nesta escola tem-me permitido, através da prática e da cooperação e troca de impressões com outros colegas - o que é fundamental -, tirar dúvidas e ir entrando gradualmente, sem stresses nem receios, num mundo novo da educação.
Tendo em conta o aconselhamento do meu coordenador e do Departamento, procuro desenvolver mais atividades de grupo (em pequeno, médio e grande grupo), fichas formativas e testes adaptados às capacidades dos alunos, procurando desenvolver a autonomia e as capacidades de aprendizagem dos alunos.
Num tempo em que temos de estar todos (docentes) em sintonia, procurando a diferenciação pedagógica, metodologias e formas de avaliação adequadas a cada aluno, dentro de um todo que é a turma com toda a sua heterogeneidade, torna-se cada vez mais importante e ajustada a supervisão pedagógica e a orientação do professor supervisor ao colega supervisionado, no sentido deste melhorar as suas metodologias indo ao encontro do que a escola preconiza para as aprendizagens essenciais dos seus alunos. Os professores passam a ter na sua mão as decisões dos projetos que vão implementar na sua escola, deixam de ser "consumidores curriculares" in Rui Trindade "Autonomia, flexibilidade e gestão curricular: relatos de práticas".
Torna-se cada vez mais importante a interdisciplinaridade, onde é possível trabalhar várias temáticas comuns às várias disciplinas. Nestas, os alunos poderão mostrar as suas capacidades de pesquisa, seleção e apropriação de conteúdos. Desta forma, a partir de um ponto de partida comum, a escola potencia "o desenvolvimento pessoal e social dos seus alunos e a afirmação da sua cidadania como referência e objetivo do trabalho de formação que promove" in Rui Trindade, pág. 18
É nos DAC que os projetos interdisciplinares ganham corpo, levando à estimulação do contacto entre várias disciplinas e o seu património de saberes e do saber - fazer, potenciando aprendizagens significativas e bem sucedidas em que os alunos, através de estratégias e recursos que serão mobilizados para esse fim, desenvolvem o seu "pensamento crítico e criativo". in Ariana Cosme "Autonomia e flexibilidade curricular -Propostas e estratégias de ação"
Os professores devem usufruir de mais autonomia, no sentido de poderem programar e desenvolver projetos curriculares que lhes permitam desafiar os alunos e motivá-los a aprender e a crescer como pessoas mais inteligentes e humanamente mais competentes, beneficiando do legado cultural que têm ao seu dispor, ou seja, os alunos devem saber ser, saber estar e saber fazer.
Para Ariana Cosme, o sucesso do PAFC passará pelo modo como, nas escolas, os professores forem capazes de construir respostas para enfrentar a questão: Como é que a partir do património curricular de cada disciplina se pode estabelecer uma relação autêntica, significativa e plausível entre o património das disciplinas e as experiências e desafios culturais, sociais, relacionais e éticos que se espera que os alunos possam viver?
Os professores devem ser vistos como "atores educativos que assumem um papel decisivo e influente no desenvolvimento de uma relação produtiva e consequente entre os estudantes e o património das disciplinas", permitindo-lhes a aprendizagem e o conhecimento. in Ariana Cosme.Desta forma, estamos perante professores que, procurando obter os objetivos finais dos seus projetos, trabalham em conjunto, cooperando, quer em reuniões para tomar decisões, quer em coadjuvações, quer nos DAC, com o objetivo de conseguir transmitir aos seus alunos aprendizagens importantes e darem à sua escola um cunho, uma afirmação, na atual estrutura de ensino.